Sento-me para jantar
E tão contente eu fico
Poder conversar com a
cadeira da frente
Que bom, uma refeição
quente
Hoje a angústia não
está tão temperada
Não critico, pontifico
Logo, danada, a cadeira
do lado
Protesta com ciúme
Fui eu quem a pôs ao
lume
Se a queres mais
picante
Reclama com essa
vizinha pedante
Que só te quer para
nela te sentares
Quando a mim me tens só
para amares
Desprezas a minha
atenção
Cobarde, és incapaz de
lhe dizer não
Pois fica com ela
Não te perdoo essa
traição
Descontente e mudo me
quedo
Incrédulo com esta
ciumeira
Não bastava já a gata e
a sua miadeira ?
Já aturo a cama a
reclamar que está fria
A almofada a dizer que
está vazia
A moldura com a sua
carpideira
Mas nada mais me
atormenta
Do que ainda ter que
lidar
Com o capricho singular
De uma cadeira ciumenta


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