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quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Angústia para o jantar




Sento-me para jantar
E tão contente eu fico
Poder conversar com a cadeira da frente
Que bom, uma refeição quente
Hoje a angústia não está tão temperada
Não critico, pontifico

Logo, danada, a cadeira do lado
Protesta com ciúme
Fui eu quem a pôs ao lume
Se a queres mais picante
Reclama com essa vizinha pedante
Que só te quer para nela te sentares
Quando a mim me tens só para amares
Desprezas a minha atenção
Cobarde, és incapaz de lhe dizer não
Pois fica com ela
Não te perdoo essa traição

Descontente e mudo me quedo
Incrédulo com esta ciumeira
Não bastava já a gata e a sua miadeira ?
Já aturo a cama a reclamar que está fria
A almofada a dizer que está vazia
A moldura com a sua carpideira

Mas nada mais me atormenta
Do que ainda ter que lidar
Com o capricho singular
De uma cadeira ciumenta

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