Não sei nem presumo se porventura me
lês
A certeza que assumo é de que não me
vês
Pela dúvida, detenho-me a cogitar
Se em mim ainda podes por vezes
pensar
Na imponderada invasão de um sonho
Ou
nalgum gesto ou reflexo (eu
suponho)
Na visão inesperada duma fotografia
Cismo se haverá mera réstia de
empatia
Mas na verdade nada disso agora importa
Saciar a curiosidade só por pueril
consolo
Porque a vida segue rua íngreme e
torta
E sem retorno pelo caminho já andado
Por este sonhador tão insano e tolo
Que um dia se julgou, infinitamente amado.


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