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quarta-feira, 23 de abril de 2008

palavras




Foi um dia, e outro dia, e outro ainda.
Só isso: o céu azul, a sombra lisa,
o livro aberto.
E algumas palavras.
Poucas, ditas como por acaso.
Eram contudo palavras de amor.
.
Não propriamente ditas, antes adivinhadas.
Ou só pressentidas.
Como folhas verdes de passagem.
Um verde, digamos,
brilhante,
de laranjeiras.
.
Foi como se de repente chovesse:
as folhas, quero dizer,
as palavras brilharam.
Não que fossem ditas,
mas eram de amor,
embora só adivinhadas.
.
Por isso brilhavam.
Como folhas molhadas.

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