DESDE O CHÃO
A pele porosa do silêncio
agora que a noite sangra nos pulsos
traz-me o teu rumor de chuva branca.
O verão anda por aí,
o cheiro
violento da beladona cega a terra.
Cega também, a boca procura
trabalhos de amor. Encontra apenas
só nó de sombras das palavras.Palavras... Onde um só grito
bastaria, há as gorduradas palavras.
Palavras -quando apetecem claridades súbitas,
o sumo estreme, a ponta extrema,
do teu corpo, arco, flecha,
corola de água aberta
ao fogo a prumo do meu corpo.
Do chão ao cume das colinas,eis as areias.
Cala-te.Deita-te. Debaixo dos meus flancos.
A terra toda em cima.
Agora arde.
Agora.


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