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sexta-feira, 25 de abril de 2008

inundação emocional


O resultado líquido das atitudes perturbadoras é criar uma crise constante, uma vez que provocam sequestros emocionais mais frequentes e tornam mais difícil recuperar da dor e da raiva resultantes.
Goleman usa a palavra inundação para designar esta susceptibilidade a frequentes perturbações emocionais : os maridos ou mulheres inundados estão de tal maneira dominados pelos aspectos negativos do parceiro e pelas suas próprias respostas a essa negatividade que se deixam submergir por uma vaga de sentimentos descontrolados.

As pessoas inundadas não conseguem ouvir sem distorção nem responder com clareza; têm dificuldade em organizar os seus pensamentos e caem em reacções primitivas. Tudo o que querem é que aquilo acabe, ou então fugir, ou, por vezes, ripostar. A inundação é um sequestro emocional que se auto-perpetua.
O problema para o casamento começa quando um ou outro dos cônjuges se sente inundado quase continuamente. Esse parceiro sente-se então esmagado pelo outro, está constantemente em guarda contra um ataque emocional ou uma injustiça, torna-se hipervigilante contra qualquer sinal de agressão, insulto ou ofensa, e tem inevitavelmente uma reacção excessiva ao mais pequeno indício.

Este é talvez o mais difícil ponto de viragem para um casamento, uma alteração catastrófica na natureza da relação. O cônjuge inundado passou a pensar o pior possível do parceiro a todo o instante, vendo tudo que ele faz a uma luz negativa. Pequenas questões transformam-se em grandes batalhas; os sentimentos um do outro são continuamente magoados.

Com o tempo, o parceiro que está a ser inundado começa a encarar os mais pequenos problemas do seu casamento como gravíssimos e impossíveis de solucionar, uma vez que a própria inundação impede qualquer tentativa de resolver as coisas. À medida que isto continua, começa a parecer inútil discutir os assuntos, e os parceiros tentam acalmar os seus sentimentos perturbados cada um para seu lado. Começam a viver vidas paralelas, essencialmente isolados um do outro, e sentem-se sozinhos no casamento. Quase sempre, conclui Goleman, o passo seguinte é o divórcio.

Nesta trajectória em direcção ao divórcio as consequências trágicas dos défices de inteligência emocional são bem patentes. Quando um casal se deixa apanhar no ciclo da crítica e do desprezo, comportamentos defensivos e silêncio, pensamentos negativos e inundação emocional, o próprio ciclo reflecte uma desintegração da autoconsciência emocional e do auto-controlo, da empatia e da capacidade de se apaziguarem um ao outro e a si mesmos.

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